Foi na época em que o imperador Augusto mandou contar todo o povo, que José e Maria, após penosa viagem, chegaram às ruas de Belém.
Em vão José bateu às portas pedindo abrigo, nenhuma lhe foi aberta. Andaram pelas ruas de um lado a outro. Embaixo do alpendre de uma ferraria, Maria deixou-se cair numa pedra para descansar um pouco. Na oficina, o ferreiro estava ocupado com seu trabalho. No resplendor do fogo da fornalha, o rosto pálido de Maria ficou corado.
Com braços fortes, o ferreiro, movimentando o fole, atiçava cada vez mais as brasas. Para cima e para baixo as chamas bruxuleavam. A fumaça formava sombras escuras na oficina fuliginosa. Então, o ferreiro tirou com a tenaz um pedaço de ferro candente do fogo e foi até a bigorna. Fragorosamente o martelo malhava o ferro e deste saiam faíscas como chuva de estrelas através da fumaça. Toda vez que a bigorna sacudia sob a pancada do martelo, Maria sentia com uma facada trespassar seu coração e então, baixinho, ela perguntou:
– “Oh, José, o que o ferreiro está batendo?
José aproximando-se da porta da oficina perguntou:
– Dize-me, mestre ferreiro, que está batendo tão ativamente?
O ferreiro levantou, então, com a tenaz um pedaço de ferro candente e disse:
– Eu forjo os pregos com os quais os criminosos são crucificados. Os soldados romanos estão me pressionando muito, pois amanhã haverá crucificação em Jerusalém.
Então Maria se levantou da pedra e se afastou da ferraria suspirando.
Faltava apenas uma hora para que a estrela anunciasse aos pastores que a criança tinha nascido.
(Conto extraído do livro: Lendas do Menino Jesus.
Autor: Jakob Streit
Tradutora: Renate Kaufmann)
