Às vezes, ao anoitecer, as camisetas lavadas dos anjinhos ainda estão estendidas sobre as nuvens no céu. Então Maria, a mãe do céu manda um dos seus anjinhos buscá-las antes que a noite caia e as grandes constelações apareçam.
Assim, certa noite, foi mandado um anjinho pra retirá-las. Mas quando lá chegou pensou:
– Gostaria muito de ver como é lá fora, quando o imenso portão do céu se fecha, e o grande anjo da noite vem com todos os seus ajudantes para juntos tirarem o véu das estrelas e da lua, para que todas possam brilhar e desta forma iluminar a noite.
O Anjinho se pôs a caminhar e admirar a noite que era tão bela. Finalmente chegou até a Lua e ela mostrou-lhe seu reino, sua casa, e todo seu rebanho que à noite cuidadosamente guarda. O anjinho ficou emocionado e pelo seu rosto de admiração a Lua percebeu que ele não era um anjo da noite, mas sim um anjinho novo e do dia.
Os anjinhos do dia tinham um pó dourado do Sol em suas asas, e os da noite vestiam roupas de veludo azul como a noite e suas asas tinham o pó prata das estrelas e da Lua.
Então a Lua mandou que o anjinho voltasse bem depressa para seu lugar.
Ao caminhar de volta, o anjinho olhou para baixo e viu que a Terra estava escura. Ele só conhecia a Terra durante o dia quando o Sol a iluminava. Assim, o anjinho pensou:
– A Terra também deve estar iluminada durante a noite. Pegou uma estrela e jogou-a com toda força para baixo na direção da Terra. Por um instante ainda era possível ver seu rastro luminoso, mas logo tudo estava escuro como antes, e desta forma ele jogou mais duas estrelas, uma depois da outra.
Já estava clareando o dia quando o anjinho chegou ao portão do céu. Com um maravilhoso som de flautas e trombetas, o portão se abriu e ele entrou. Ao entrar, o anjinho notou que no céu havia uma grande confusão, pois o anjinho que cobria a luz das estrelas e da Lua percebeu que três estrelas estavam faltando, bem como faltava um anjinho. Logo todos perceberam o que havia acontecido.
O anjinho teve que ir ao Deus-Pai e contar-lhe o que havia feito. Deus meneou a cabeça e disse:
– A Terra tem que ter sua própria luz e as estrelas tem seu lugar no céu. Você jogou três estrelas para baixo e agora terá que ir buscá-las.
Assustado o anjinho se pôs a caminho. Lá embaixo, na beira das nuvens ele guardou suas asinhas e foi a Terra.
– Por acaso vocês viram uma estrela cair do céu? Mas ninguém havia visto.
E ele continuou seu caminho até que chegou a uma montanha. Ele chamou, chamou até que o espírito da montanha apareceu. O anjinho fez sua pergunta e o espírito da montanha respondeu:
– Sim, uma estrela caiu em cima da minha montanha. Vamos ver o que aconteceu.
Juntos eles subiram e viram uma linda flor que luzia tão branca e pura, com seu miolo amarelinho em formato de estrela, e seu perfume era muito especial, pois era um perfume de noite.
– Olha, eu não posso devolver a sua estrela, pois ela agora está enfeitando a minha montanha e todos por aqui estão muito felizes por isso.
O Anjinho tinha que continua sua jornada e foi andando até que chegou a um lago. No fundo do lago ele podia ver as ondinas, as ninfas da água, que olharam para cima vendo quem as estava espiando. O anjinho chamou a rainha das ondinas e perguntou a ela sobre a estrela, e ela respondeu:
– Sim, mas os meus peixinhos a engoliram e ficaram todos prateados.
Realmente o anjinho pode ver como os peixinhos estavam prateados e felizes por isso.
Assim ele foi embora, andou mais um pouco, até que chegou a uma cidade. Nesta cidade durante a noite havia nascido uma criança e todos correram para vê-la, pois aquele que olhava nos olhos dela sentia seu coração se encher de alegria e quem estava doente, imediatamente se sentia melhor. A mãe da criança sabia porque a alegria era tanta naquela noite, pois o Anjo Gabriel havia contado a ela sobre o nascimento do filho de Deus. Os anjos naquela noite fizeram um coro para anunciar o nascimento do menino, e os pastores puderam ouvir estes anjos. O céu se movimentou de forma diferente e até a estrela que o anjinho havia jogado se sentiu atraída pelo belo acontecimento. Foi esta estrela que guiou os Três Reis Magos até o local.
Quando o anjinho entrou e viu tamanha alegria, percebeu que a terceira estrela que agora iluminava a criança, e a todos que ali estavam. Percebeu então que esta estrela também não poderia voltar com ele.
O anjinho voltou ao Deus-Pai e contou-lhe que não pudera trazer as estrelas de volta, pois a alegria que elas levaram ao mundo era muito grande.
Deus então entendeu e perdoou o anjinho. Dizem que até hoje ele está no céu, olhando e alegrando as pessoas aqui na Terra.
