Os Modernos Mistérios de Michael (Ana Paula Isidoro Cury)

Ana Paula Isidoro Cury

Em uma palestra proferida por Rudolf Steiner no dia 13 de janeiro de 1924 ele caracterizou Michael, o espírito regente de nossa época de uma nova forma inteiramente nova.
 Naquela ocasião. Ele salientou que a principal diferença entra Michael e todos os outros arcanjos é que ele é o único em seu círculo que reconhece plenamente a liberdade do homem na Terra. Steiner chamou-o de “Herói Espiritual da Liberdade”. Entretanto, esse fato tem para Michael conseqüências. Pois, em contraste com os outros Arcanjos ele se tornou em nosso tempo um tanto reservado, um Espírito do Tempo que dá aos seres humanos muito pouco em termos de diretrizes, indicações, inspirações e impulsos para ação. Enquanto os outros Arcanjos se esforçam para continuar guiando a humanidade, estimulando indivíduos a realizar este ou aquele ato, Michael se abstém  quase totalmente de fazer o mesmo, exibindo um interesse não nos motivos ou intenções dos atos humanos, mas somente em suas conseqüências.
 Em outras palavras, ele dá ao indivíduo a possibilidade de realizar no mundo algo que emane do conhecimento científico-espiritual e então julga as conseqüências desse ato do ponto de vista do mundo espiritual. Rudolf Steiner descreve este processo com a ajuda da seguinte imaginação: uma pessoa se aproxima de Michael no mundo espiritual com as conseqüências de seus atos livres. Isto pode ocorrer através da iniciação (como um caminho de desenvolvimento espiritual autoconsciente como um caminho de desenvolvimento espiritual autoconsciente), ou após a morte, ou também durante o sono – e neste caso, aplica-se a todos os seres humanos individuais. Então, Michael, não com palavras, mas com um olhar e um gesto, possibilita à um olhar e um gesto, possibilita á pessoa compreender se os seus atos podem ou não ser considerados positivos do ponto de vista da regência cósmica. Aqui Michael aparece diante do homem, não com a espada, mas com a balança. E, se a decisão dele for favorável, a pessoa depreenderá dela o seguinte significado: “isto está correto, isto está em harmonia com a direção do cosmo”. E então Michael leva os resultados daquela ação ao seu reino, onde os atos terrenos se convertem AM atos cósmicos, isto é, em tijolos ou pedras para edificação de um novo cosmo – A Jerusalém  Celeste.
   Em relação ao que acaba de ser dito pode surgir uma questão que se não for satisfatoriamente resolvida torna-se um problema real. O fato é que Rudolf Steiner descreve os atos livres do homem que podem ser reconhecidos por Michael como aqueles que estão fundamentados em verdades espirituais- “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” – baseados naquilo que pode ser lido na luz astral do cosmo. Mas como realizar esta leitura? Para conseguir ler na luz astral do cosmo é preciso ser um iniciado, ou seja, ter atingido um estágio de desenvolvimento que a esmagadora maioria dos homens só alcançará num futuro longínquo.
 A resposta para esta pergunta está ligada preciosamente a algo que Rudolf Steiner sempre disse a respeito do desenvolvimento de faculdades superiores no homem- faculdades estas que possibilitam a experiência direta do espiritual. Elas existem latentes em todos nós e podem ser despertadas e ativadas mediante o fortalecimento da capacidade cognitiva do homem. Para isso o primeiro passo é justamente o estudo da ciência espiritual. Assim, a visão espiritual, o ler na luz espiritual do cosmo, só iniciado pode fazê-lo, mas todos nós podemos acompanhar o que ela descreve com a nossa razão. Um juízo sadio e livre de preconceitos, e a disposição para o estudo é tudo o que precisamos para o primeiro estágio neste caminho que nos leva ao verdadeiro conhecimento espiritual. Aqui, o esforço pela compreensão precede e descerre a visão.
 Disto, segue-se que ao absorvermos o que é comunicado pela ciência espiritual Antroposófica, não de modo intelectual abstrato, mas incluindo todo nosso sentir e querer neste processo de estudo, nós já estamos como que lendo na luz astral, embora não diretamente, mas por meio dos pensamentos acerca do mundo do espírito. Neste caso, nada mais nos impede de começar a agir em plena liberdade a partir do que pode ser lido desse modo na luz astral. E, isto representa um caminho para a realização dos atos que Michael espera de nós todo o tempo. Se ao menos pudermos nos relacionar com seriedade com o que é comunicado pelo moderno iniciado a ponto de tornarmos os resultados de sua pesquisa espiritual o poder motivador de nossas ações, então estaremos ao lado de Michael, como companheiros e colaboradores seus.
 Assim, as bem conhecidas palavras do Evangelho de João, “Felizes os que não viram e creram”, pronunciadas pelo Cristo ao apóstolo Tomé, como um representante da época da alma da consciência, que ainda estava por vir, talvez possam, á luz da moderna iniciação, expressar “Felizes os que não viram e, no entanto sabem”. Neste sentido, são abençoadas as pessoas que atuam hoje no mundo a partir de um conhecimento dos mundos espirituais, pois seus atos podem ser recebidos por Michael no seio das hierarquias. Quando isso acontece, homens e deuses criam juntos e vivem em comunhão.

Bibliografia:
O significado do Esotérico do Trabalho Espiritual nos Grupos Antroposóficos –
 Sergei Prokofieff
A Ciência Oculta – Rudolf Steiner.

(extraído da Revista Nós época de Micael 2008 – EWRS)

 

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